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Radiologia centrada no paciente… Definições, momento atual e perspectivas…

Este excelente artigo foca o papel da interação do radiologista com o paciente na prática diária. Este tem sido um debate muito importante entre os americanos, sendo que entidades como a Sociedade de Radiologia da América do Norte (RSNA) criaram grupos de tarefas específicos para esta análise. Existe inclusive um site destinado a esta análise: http://www.rsna.org/Radiology_cares/.

Houve uma mudança no padrão do trabalho radiológico que os autores nitidamente identificaram, de uma radiologia baseada no volume de exames, para outra, baseada no “valor” do exame (valor representando a importância de cada exame). A intenção foi verificar um aspecto importante desta mudança, a relação direta do radiologista com o paciente (mesmo que “Radiologia centrada no paciente” seja muito mais abrangente que este conceito isolado).

Para isso, fizeram um questionário aos radiologistas americanos (duração de resposta de 20 minutos – com uma escala likert) que obteve uma taxa de resposta de apenas 12% (mesmo sendo enviado duas vezes).

Os resultados são interessantes (e do ponto de vista pessoal, semelhantes ao que seriam esperados no Brasil): apesar de a grande maioria dos radiologistas acreditar que este modelo acrescenta ao seu trabalho e aos pacientes, sendo importante para a prática (cerca de 89%), poucos realmente conseguem ter uma interação direta com os pacientes no dia a dia (algo em torno de 30%). Existem algumas diferenças que foram mensuradas, como locais acadêmicos promovendo uma maior interação que clínicas particulares, radiologistas mais experientes sendo mais empenhados nesta prática e a proximidade de algumas especialidades radiológicas promoverem maior interação que outras (Ultrassonografia vs Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética).

Esse debate é interessante e traz à tona os problemas enfrentados pelos radiologistas atualmente que dificultam muito essa interação com os pacientes. O crescente número de exames impõe uma limitação de tempo disponível do radiologista (sendo este o fator destacado como mais importante pelos americanos da pesquisa). Isso determina um grande problema não só no tempo do médico, mas traz também um problema na remuneração (uma vez que se houver mais interação, vai haver menos tempo para os relatórios e necessidade de mais contratações – determinando um salário menor). Ao mesmo tempo, os lideres americanos nesta área acreditam que essa interação é fundamental e a sua negligência pode trazer um problema importante nos próximos anos da Radiologia.

Particularmente, acredito que este artigo é um ponto interessante de discussão entre a classe e deveria ser considerado como base para uma ampla discussão do modelo da Radiologia no Brasil. Apesar de o mesmo focar os pacientes, esta condição atual do radiologista isolado na sala de laudo (isolado do médico, funcionários e pacientes) não parece favorecer a classe em longo prazo.

Autores: Kemp JL, Mahoney MC, Mathews VP, Wintermark M, Yee J, Brown SD

Referência bibliográfica: Radiology. 2017 Jun 20 – Ahead of print

Link para o PubMed: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28631981

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