Sistema Urogenital

Ressonância magnética de próstata pré-biópsia: seria custo-efetiva?

Este artigo traz um modelo de análise de decisão para avaliar o impacto de custo da ressonância magnética (RM) da próstata em pacientes virgens de biópsia. Os autores fizeram uma extensa revisão em praticamente todos os aspectos de neoplasia prostática, avaliando a acurácia da RM na detecção de neoplasias clinicamente significativas (consideradas como tumores maiores que 0,5cm com Gleason maior que 6 e/ou não confinado a próstata), comparada com a da biópsia randômica. Foram ainda estimados vários algoritmos como:

1) Biópsia padrão.

2) Biópsia direcionada nas lesões detectadas por: cognição, fusão US ou na RM.

3) Biópsia direcionada nas lesões detectadas, mas biópsia randômica mesmo se nenhuma lesão for detectada.

Os três tipos de biópsia com fusão acima foram considerados por serem os disponíveis atualmente. Foi ainda verificada a importância ou não do contraste na RM multiparamétrica.

Várias premissas (além da definição de tumor insignificante) tiveram de ser analisadas para o trabalho, como: valores do exame, valores da cirurgia e pós-operatório, aceitação do paciente em fazer active surveillance, custos de terapias não cirúrgicas. Deve-se ter em mente que os autores usaram medidores não só de custo, mas também de qualidade de vida do paciente, em conjunto. Um grande problema do trabalho é que a maioria destes valores e premissas só se aplica aos EUA.

O resultado foi bastante satisfatório para a RM, mostrando que todas as modalidades que utilizaram RM antes da biópsia possibilitaram uma redução significativa do custo em relação à biópsia randômica (abordagem padrão). Um aspecto interessante é que o método mais custo efetivo foi a biópsia cognitiva pós-RM, seguida da biópsia no gantry da RM e depois a biópsia por fusão (US+RM), sendo esta segunda a mais acurada, porém mais cara que a primeira. Realizar a biópsia mesmo que a RM seja negativa teve um desempenho pior que a das primeiras análises, mas ainda assim, foi superior à abordagem padrão. Deve-se te em mente que os autores ainda não consideraram o problema da RM com os artefatos pós-biópsia, pensando em estadiamento e identificação de outras lesões.

Eles ainda finalizam  discussão comparando seus resultados com o estudo NICE do Reino Unido (que determinou que RM com contraste pré-biópsia não é custo-efetivo). Os autores mostram que o estudo tem algumas particularidades que poderiam explicar essa diferença (como o fato de considerarem que todo e qualquer paciente indicado para active surveillance vai realmente fazer esta modalidade). Além disso, ainda colocaram que lesões anteriores deveriam ser biopsiadas por técnicas perneais.

A conclusão dos autores em favor da RM pré-biópsia ser custo-efetiva tem um importante efeito na abordagem de pacientes com suspeita clínica de neoplasia prostática, sendo este artigo uma importante referência para o tema.

Autores: Pahwa S, Schiltz NK, Ponsky LE, Lu Z, Griswold MA, Gulani V

Referência bibliográfica: Radiology. 2017 May 17 – Ahead of Print.

Link para o PubMed: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28514203

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