Assistência à vida e meios de contraste

Deposição de gadolínio no cérebro: quais são as recomendações atuais em vista da evidência

Neste excelente artigo, os autores descrevem toda a experiência publicada sobre o depósito de gadolínio nos núcleos da base, que vem sendo descrito desde 2014 em alguns artigos e criando mais uma polêmica sobre o uso deste contraste na prática clínica (como foi o da fibrose sistêmica nefrogênica no início de 2000).

Como qualquer artigo sobre uso de contraste e, em particular, envolvendo o sistema nervoso central, existem evidências iniciais e nada muito concreto, particularmente sobre o eventual dano que o metal poderia causar ao tecido encefálico.

Realmente, existe um depósito que pôde ser verificado por vários trabalhos avaliando o tecido, mas nem mesmo a forma de depósito (se livre ou combinado com uma proteína) pode ser caracterizado pela tecnologia empregada. Além disso, não foi encontrado até o momento qualquer evidência de dano tecidual. Mesmo utilizando avaliações clínicas, não foi possível estabelecer alteração funcional relacionada ao depósito.

Existem múltiplas variáveis envolvidas no depósito (e na identificação dele), como o fato do contraste ser macrocíclico ou linear, ser iônico ou não, ou mesmo no grau de relaxividade do contraste (o que poderia afetar quanto o depósito é percebido na imagem).

Mesmo assim, foi verificado depósito mesmo em alguns agentes macrocícilicos (em menor dose que os lineares) e até mesmo clearence do contraste após alguns meses.

De qualquer forma, os autores não modificam muito as recomendações já estabelecidas com o uso do contraste, como:

1) O uso, quando necessário, seria totalmente liberado;

2) O uso em pesquisa deve ser realizado, desde que siga protocolos bem definidos (lembrando de termos de consentimento que expliquem bem aos pacientes este detalhe);

3) A documentação do tipo de contraste e a dosagem usada em prontuários;

4) A descriminação em eventuais projetos/pesquisas ligadas à indústria farmacêutica.

Autores: Gulani V, Calamante F, Shellock FG, Kanal E, Reeder SB; International Society for Magnetic Resonance in Medicine

Referência bibliográfica: Lancet Neurol. 2017 Jul;16(7):564–70.

Link para o PubMed: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28653648

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