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Será o fim das aulas expositivas nas faculdades de Medicina?

Os autores deste excelente artigo analisam e criticam o modelo convencional de ensino feito nas faculdades de Medicina há séculos, com o professor na frente dos alunos em uma longa aula expositiva (de 30 a 60 minutos). Esse modelo está em amplo debate atualmente, principalmente no exterior, e tem mostrado alguns problemas, especialmente com o avanço da aquisição de informação disponível online e o padrão dos estudantes atuais (engajados desde a infância com esse tipo de informação fácil e acessível).

Eles ainda colocam o problema em prática, mostrando que mesmo que os alunos acreditem que aprenderam um tema em uma excelente aula expositiva, eles não conseguem se aprofundar em um problema relacionado ao mesmo após a exposição, possuindo apenas uma informação superficial.

O que os autores recomendam é um aprendizado mais direcionado à resolução de problemas práticos, com acesso à informação facilitado pelo professor, mas direcionado pelo aluno, mesmo fora da sala de aula, para sedimentar melhor o aprendizado. E eles já têm alguns dados mostrando que este modelo produz resultados iniciais mais interessantes.

No fim, os autores indicam que talvez seja a hora de acabar com o modelo expositivo de aula que é apresentado hoje, mas que devem ser mantidas palestras mais rápidas e dinâmicas, após a preparação dos alunos e com a interação dos mesmos.

Eu ainda coloco uma questão adicional: será que os congressos radiológicos também devem seguir essa linha?

Autores: Schwartzstein RM, Roberts DH

Referência bibliográfica: N Engl J Med. 2017 Aug 17;377(7):605-607

Link para o PubMed: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28813217

1 comentário em “Será o fim das aulas expositivas nas faculdades de Medicina?

  1. Sergio Santana

    Naturalmente os professores que estão alinhados a problematização irão defendê-la pois assim é que ganham o pão. Mas não concordo com a afirmação de que com a forma tradicionalista alunos não conseguem se aprofundar (em um problema). A gigantesca maioria dos profissionais que hoje trabalham na radiologia tiveram sua formação no modelo tradicional e sua excelência médica está mais ligada à sua capacidade, foco e dedicação do que a faculdade que fizeram. Para encurtar: vivemos tempos em que os custos devem ser contidos de qualquer modo e a qualquer preço. Se eu fosse dono de um grande grupo educacional eu batalharia fortemente para ter um professor que discutisse, sim superficialmente, diversos assuntos. Ao invés de ter um grande especialista em US, outro grande especialista em clínica médica, outro em gastroenterologia… É claro que é possível utilizar os recursos tecnológicos para melhorar a qualidade das aulas – por exemplo com as pré-aulas om line. Mas fazer uma experiência educacional desse porte não me parece adequado na realidade de nossos alunos, de nossos professores e das nossas instituições.

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