Sistema Urogenital

Avaliação de síndrome dos ovários policísticos por ressonância magnética

A síndrome de ovários policísticos (SOP) é uma das disfunções ovarianas mais frequentes, sendo encontrada em cerca de 6-15% das mulheres. Sua detecção é importante para permitir tratamento mais precoce e prevenir problemas futuros com a cronicidade do problema. Seu diagnóstico baseia-se na revisão dos critérios revisados do Consenso de Roterdã, que exige que dois de três achados sejam preenchidos: alteração na ovulação (anovulação ou mesmo oligo-ovulação), evidência clínica ou laboratorial de hiperandrogenismo ou preenchimento dos critérios ultrassonográficos, que consistem em 12 ou mais folículos de 2-9 mm e/ou aumento do volume ovariano (> 10 cm3). O problema do uso destes critérios de imagem é que os mesmos são limitados em pacientes adolescentes, pelo fato de um grande número das mesmas serem impossibilitadas de realizar ultrassonografia transvaginal. Logo, o objetivo é avaliar o uso de ressonância magnética neste grupo de pacientes para verificar sua aplicabilidade.

O estudo foi realizado comparando pacientes com suspeita de SOP pela análise clinica e laboratorial, comparadas com um grupo semelhante de adolescentes sem suspeita clínica (obtidas por problemas relacionados ao sistema musculoesquelético e que tivessem realizado ressonância magnética da pelve). Foram estudadas cerca de 110 pacientes, sendo 55 com suspeita de SOP e 55 do grupo de controle. As pacientes com suspeita clínica foram ainda divididas em alta, intermediária e baixa suspeição (40, 8 e 7 pacientes, respectivamente), sendo estes critérios baseados na combinação dos fatores de hiperandrogenismo e alteração da ovulação. A análise da ressonância magnética utilizou critérios quantitativos, como volume e esfericidade dos ovários, além de números de folículos < que 9mm ou < que 5mm e semiquantitativos, como presença de folículos periféricos (mais que ⅔ dos folículos <9mm situam-se na camada mais externa do ovário) e ausência de folículo dominante (nenhum folículo de 15-28mm).

Os resultados mostraram uma relação entre alta suspeita de SOP e volume do ovário (> 10 cm3), números de folículos <9mm ou <5mm (28 e 22, respectivamente) e posição periférica dos folículos. Os outros critérios, como presença de folículo dominante e índice de esfericidade não atingiram resultados satisfatórios, particularmente este último. O volume ovariano e o número de folículos pequenos nos ovários mostrou, ainda, positivo na regressão logística, sendo que a posição periférica não alcançou significância estatística nesta análise. O volume ovariano foi o fator mais robusto nesta análise, particularmente pelos resultados em reprodutibilidade entre os autores, sendo o fator que mais facilmente poderia ser usado na prática clínica para auxiliar essas pacientes com suspeita clínica.

No final, os autores concluíram neste estudo piloto que a ressonância magnética pode ser utilizado como um bom método na avaliação de pacientes adolescentes com suspeita de SOP, substituindo a ultrassonografia transvaginal neste grupo, com resultados interessantes.

Autores: Fondin M, Rachas A, Huynh V, Franchi-Abella S, Teglas JP, Duranteau L, Adamsbaum C

Referência bibliográfica: Radiology. 2017 Jul 25;:161513–10.

Link para o PubMed: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28742467

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