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Elastografia para diferenciação de lesões malignas e benignas no pâncreas

Os autores deste trabalho conduziram um estudo prospectivo em pacientes com suspeita de lesões pancreáticas, para diferenciação das mesmas entre malignas e benignas pela técnica de elastografia. Para tanto, avaliaram pacientes num período de dois anos, que preenchessem os critérios de lesão pancreática com estudo patológico e/ou seguimento em pelo menos seis meses (para confirmação de benignidade). Eles utilizaram um driver passivo especifico para o pâncreas, posicionado na região do epigástrio, com técnica ecoplanar e 3D, para obter valores de “rigidez” da lesão e do tecido pancreático “preservado” adjacente. Foram avaliados 85 pacientes (de um grupo de 254 no total, sendo 169 excluídos por inúmeras razões, principalmente por ausência de patologia e/ou seguimento – destacando-se oito falhas técnicas da elastografia e 11 massas menores que 1,0 cm). Foram ainda incluídos cerca de 20 voluntários.

As lesões eram avaliadas por meio do posicionamento de regiões de interesse (ROI’s) nas mesmas (colocadas nas imagens de magnitude e copiadas nos “elastogramas”), sendo ainda colocados ROI’s no parênquima sem lesão. Posteriormente, era feita a média das medidas da lesão e a razão entre essa média e a “rigidez” do parênquima preservado. Esses resultados eram comparados com a avaliação bioquímica de Ca19-9.

Os resultados foram interessantes, obtendo-se valores de “rigidez” mais elevados em lesões malignas (54 lesões) do que em benignas (31 lesões), sendo que o adenocarcinoma pancreático (AP) e as metástases (Mt) demonstraram os maiores valores dentre as massas (cerca de 3,3 e 3,46 kPa, respectivamente), com valores mais baixos nas pancreatites focais formadoras de massa (PFFM – 2,0 kPa). Algumas das lesões malignas tiveram valores muito variados, como os tumores neuroendócrinos (NEs) e lesões sólido-pseudopapilares (SPPs), que limitaram sua análise. No entanto, o uso da razão entre os valores das lesões pancreáticas e o pâncreas remanescente mostrou-se ainda mais eficaz na diferenciação entre lesões malignas e benignas do que a medida da rigidez isolada. O valor da razão de rigidez foi de aproximadamente 2,45 para AP e de 1,4 para PFFM, obtendo-se valores de acurácia de 0,91 quando se usa este método. Deve-se ressaltar, ainda, que a diferenciação entre lesões benignas e malignas em geral foi pior que a diferenciação entre AP e PFFM (Acurácia de 0,96 vs 0,91), isso porque os NEs e SPPs prejudicaram a primeira análise, por apresentar valores mais baixos de “rigidez”. Outro aspecto encontrado é que a técnica se mostrou melhor que os valores de Ca 19-9, mais específica que a análise morfológica de tomografia computadorizada e ressonância magnética (95,8% vs 75-83%) e similar à ultrassonografia endoscópica com elastografia (USE). Este último método tem mostrado valores extremamente interessantes nesta diferenciação (maiores que a ressonância magnética, com sensibilidade de 100% e especificidade de 96,3%), destacando que os dois tumores que atrapalharam a análise da elastografia por ressonância magnética (NE e SPP) demonstraram valores elevados de “rigidez” na USE, sendo provavelmente um fator importante nos seus resultados.

Concluindo, o estudo mostrou boa diferenciação de lesões malignas e benignas pancreáticas com o uso de elastografia por ressonância magnética, particularmente quando se analisa AD e PFFM, podendo ser uma boa opção em casos complexos na prática clínica.

Autores: Shi Y, Gao F, Li Y, Tao S, Yu B, Liu Z, Liu Y, Glaser KJ, Ehman RL, Guo Q

Referência bibliográfica: European Radiology; 2017 Oct 3;15:1–10.

Link para o PubMed: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28986646

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