Sistema Urogenital

Feocromocitoma: um importante falso positivo na técnica de washout da adrenal

Os autores deste artigo fizeram uma análise da literatura buscando encontrar trabalhos que avaliassem a técnica de washout no feocromocitoma, particularmente para se comparar com os resultados obtidos em adenomas de adrenal.

O motivo do estudo é pelo fato de feocromocitomas serem tumores clinicamente significativos da adrenal (devendo ser tratados cirurgicamente), podendo ser encontrados de maneira acidental em pacientes assintomáticos (até 60% dos casos em algumas análises) e com casos de letalidade mesmo quando silenciosos. Esses dados vêm de encontro a uma das principais técnicas usadas na tomografia para se distinguir os adenomas de outras lesões, que é a taxa de washout, calculada pela razão da densidade das lesões nas fases venosa e tardia das lesões (usando ou não a fase pré-contraste). Apesar dessa técnica mostrar-se robusta e eficaz no principal cenário clínico (adenoma vs metástase), seus resultados em outras variações, como a diferenciação entre feocromocitomas e adenomas, podem ser prejudicados, devido ao fato desses primeiros exibirem um padrão de vascularização muito proeminente.

Os autores fizerem uma busca na internet sobre o tema e, após extensa avaliação dos resultados, chegaram a dez artigos (partindo de um número inicial de 793), que preenchiam os critérios necessários, envolvendo cerca de 114 feocromocitomas. Existia bastante variação entre os estudos, sendo que apenas seis dos dez usaram critérios estritamente baseados nas recomendações (estudos bem direcionados, com fase tardia de 15 minutos) enquanto os trabalhos restantes usaram outros protocolos, basicamente com fases tardias de dez minutos. Desta forma, a análise de qualidade dos estudos (usando o QUADAS-2) não foi muito elevada, porém dentro do aceitável (em virtude da escassez de trabalhos com esta análise).

Os resultados foram, de certa forma, interessantes (inclusive melhores do que se esperava), identificando-se 35% de feocromocitomas com padrão de washout de adenomas na análise agrupada. A acurácia foi de 0,97, determinada provavelmente pela alta sensibilidade, calculada em 97%. Entretanto, houve baixa especificidade em 67%, quando considerados todos os dez trabalhos. Este aspecto enfatiza o significativo número de falsos positivos que se pode obter com a técnica de washout quando se depara com um feocromocitoma. Deve-se ter em mente, ainda, que na análise de subgrupos, os trabalhos usando a metodologia mais correta (15 minutos) demonstraram um número maior de feocromocitomas com washout positivo (47%) em comparação a os outros trabalhos que não utilizaram (14%). Isso por si só não é justificativa para se mudar a técnica, pois incluiu um número pequeno de pacientes fora do cenário clínico mais provável.

No final, o trabalho ressalta a importância da técnica de washout, eficaz em um número muito grande de pacientes (mesmo naqueles incluídos no trabalho), porém ressalta as limitações da mesma dentro de alguns cenários clínicos, como na avaliação de lesões acidentais assintomáticas, uma vez que a possibilidade de feocromocitoma não pode ser totalmente excluída com essa avaliação. Deve-se lembrar que outros métodos importantes não foram avaliados e poderiam auxiliar muito nesta diferenciação. Em particular, o uso da densidade na fase pré-contraste poderia resolver a limitação da técnica de washout na diferenciação entre estas lesões, sendo que os feocromocitomas se apresentam com atenuação mais baixa apenas de maneira excepcional.

Autores: Woo S, Suh CH, Kim SY, Cho JY, Kim SH

Referência bibliográfica: AJR Am J Roentgenol. 2017 Oct;209(4):790-796

Link para o PubMed: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29026974

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