Sistema Urogenital

Neoplasia de próstata: o que estamos perdendo? Falsos-negativos de exames de RM

Este é um excelente artigo envolvendo o Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos EUA, visando avaliar qual o problema das neoplasias de próstata não identificadas pela RM dedicada.

Foi um trabalho extenso retrospectivo, utilizando pacientes prostatectomizados e correlacionando os achados da patologia por whole-mount, onde toda a próstata é seccionada de maneira semelhante ao exame de RM e todas as lesões são avaliadas. Eles utilizaram a melhor técnica possível de RM, com uso de 3T e bobina endorretal. Os valores de difusão para o b alto foram de 2,000 s/mm2 e o ADC foi calculado a partir de valores de b entre 0 e 750 s/mm2. A perfusão foi utilizada com intervalo temporal de 5,6 segundos e o T2 com excelente resolução axial (0,27 x 0,27 mm).

Mesmo assim, com técnica robusta e leitores experientes (foram utilizados dois radiologistas especialistas em geniturinário – 15 e 8 anos de experiência), houve perda de 16%  (26/126) das lesões, associada ainda à subestimativa do tamanho em 5% (8/162) de outras. Todas as lesões incluídas foram neoplasias significativas que os autores consideraram aqueles com escore de Gleason > 3+3 OU tamanho > 5mm. Nas lesões “perdidas”, houve escores de Gleason variados, mas foram encontrados inclusive lesões classificadas como 4+4. Deve-se ter em mente que apenas um paciente dos 100 não teve qualquer lesão identificada pela ressonância magnética, sendo que todos os outros tiveram pelo menos uma lesão identificada, ou seja, o método foi bastante sensível se considerada a detecção por paciente e não por lesão. No entanto, deve-se ter em mente que existe um grande viés no estudo, pelo mesmo utilizar pacientes prostatectomizados, ou seja, com maior chance de ter alguma lesão significativa.

Os leitores ainda revisaram os achados, com o conhecimento das lesões na patologia, em uma segunda leitura, e mesmo assim, não identificaram (ou classificaram como benignos) 58% daqueles perdidos na primeira leitura (15 dos 26), sendo que os outros 42% foram reclassificados em PI-RADS® 3 ou 4.
Outro detalhe importante do artigo é que a detecção (ou perda) das lesões estava intimamente relacionada à densidade de PSA do paciente. Pacientes com densidade maior tinham menor chance de terem lesões perdidas. O tamanho da lesão também foi fundamental, como outros artigos já colocaram.

Em resumo, este é um artigo fundamental para entender que a ressonância magnética de próstata bem feita, apesar de ser o que atualmente existe de mais avançado na avaliação de lesões nesta glândula, tem falsos negativos relevantes que devem ser conhecidos pelos radiologistas envolvidos e mesmo replicados aos colegas urologistas e oncologistas.

Autores: Samuel Borofsky, Arvin K. George, Sonia Gaur, Marcelino Bernardo, Matthew D. Greer, Francesca V. Mertan, Myles Taffel, Vanesa Moreno, Maria J. Merino, Bradford J. Wood, Peter A. Pinto, Peter L. Choyke, Baris Turkbey

Referência bibliográfica: Radiology. 2017 Oct 20:152877 (Ahead of print)

Link para o PubMed: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29053402

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