Outras

Correlação entre o número de tomografias computadorizadas e o risco de nefrectomia nos Estados Unidos

Os autores deste estudo incrível avaliaram a relação entre o uso de Tomografia Computadorizada (TC) entre usuários do MedCare dos EUA e o risco de nefrectomia. Esta abordagem é muito interessante, trazendo um risco real para pacientes em uso de técnicas avançadas de imagem. Ninguém duvida dos benefícios da TC, porém, pouco é discutido sobre os riscos deste método (além da radiação e do contraste). Um destes riscos está relacionado ao achado dos “incidentalomas”, como lesões de adrenal (inicialmente) e posteriormente outras lesões menos relevantes, porém desconhecidas por médicos antes do advento destes métodos.

Eles optaram por avaliar o risco de nefrectomia devido ao fato de pequenas lesões renais sólidas serem tratadas geralmente por este método, associado ao fato de ser um achado incidental frequente, muitas vezes não relacionado a maior mortalidade. A maior incidência de lesões renais (neoplasias) não vem refletindo em redução da mortalidade, o que leva a criar em overdiagnosis destas lesões.

Eles avaliaram em todo o território americano (306 regiões de referência hospitalar – RRH) o risco de uma pessoa (entre 65 a 85 anos) realizar uma TC em cinco anos, associado ao risco de nefrectomia.

Os autores demonstraram crescente tendência de realizar uma TC durante os cinco anos (acumulativa), variando entre 31 a 51%, dependendo da região. Geralmente, RRH com mais de 50 mil inscritos tinham mais TCs realizadas.

Também foi nítido o risco maior de nefrectomia entre aqueles que realizavam uma TC, sendo também maior entre RRH com mais participantes. Quando se considerava qualquer tipo de nefrectomia (parcial ou total) e se corrigia para o tabagismo, o risco de se tomografar mil pacientes se relacionava a um adicional de quatro nefrectomias. E se ainda fosse considerado qualquer abordagem renal (radioablação, entre outras) este risco era de um adicional de cinco nefrectomias.

Os autores destacaram várias limitações neste estudo observacional, mas depois de avaliar outras variáveis (como o risco de prostatectomia – que nada teria a ver com TCs e não teve relação no estudo), eles ficaram mais confiantes que a nefrectomia estaria relacionada a algum achado na TC.

Eles ainda descrevem que o trabalho deveria repercutir numa política de melhor abordagem de achados incidentais pelos médicos solicitantes e urologistas, pois o estado atual de nefrectomia pode não refletir a melhor alternativa (dado inclusivo pelo risco de fatalidade – elevado – que os autores encontraram).

Autores: Welch HG, Skinner JS, Schroeck FR, Zhou W, Black WC

Referência bibliográfica: JAMA Intern Med. 2017 Dec 26 [Ahead of print]

Link para o PubMed: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29279887

0 comentário em “Correlação entre o número de tomografias computadorizadas e o risco de nefrectomia nos Estados Unidos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: