Assistência à vida e meios de contraste

Efeitos da idade e comorbidades na avaliação do benefício de seguimento de lesões incidentais de baixo risco

Os autores discutem a difícil tarefa de abordagem de achados incidentais pelos novos métodos de imagem, frente a uma variabilidade muito grande de cada paciente e relativa simplicidade dos algoritmos atuais. Eles sugerem avaliar dois fatores relevantes e amplamente disponíveis no momento da avaliação do exame, como idade e comorbidades, e mensuram esta avaliação em dois cenários muito comuns: lesões renais císticas Bosniak IIF e IPMNs de ductos ramificados.

Para isto eles utilizaram uma análise sofisticada incluindo sexo, idade e comorbidades (nenhuma, leves, moderadas e graves) e aplicaram riscos de mortalidade/expectativa de vida nos pacientes que estavam fazendo o seguimento e naqueles que não estavam. Eles incluíram que durante o seguimento, a malignização de um dos achados seria curada e, eventualmente, a identificação de outra lesão (renal no caso de cistos IIF, por exemplo) seria sempre detectada e tratada no grupo de rastreamento. Isto foi ponderado em todos os sexos, idades e graus de comorbidade. As estimativas de expectativa de vida e mortalidade por neoplasia foram retiradas de dados da literatura.

Deve-se ter em mente que eles colocaram o melhor cenário possível dentro dos pacientes em seguimento: todas as neoplasias identificadas, todas corretamente tratadas com zero de mortalidade, neoplasias benignas também corretamente observadas e não operadas etc., destacando-se que na análise de sensibilidade isto foi modificado.

Como poderia ser esperado, o ganho de expectativa de vida está nitidamente relacionado à idade do paciente quando o achado incidental é observado, sendo que os pacientes com 60 anos têm os melhores índices que aqueles mais idosos. Eventualmente, o sexo feminino influência este benefício (porém de maneira mais sutil) e a presença de comorbidades também tem influência importante.

Quando os autores fazem a análise de sensibilidade, fica nítido a grande variação de meses de vida ganhos dependendo das variações relacionadas à sensibilidade dos métodos em detecção de lesões, riscos de malignidade em cada lesão, risco de mortalidade cirúrgica, entre outros, sendo que os achados são geralmente proporcionais aos acima, ou seja, pacientes mais jovens e sem comorbidades têm, geralmente, o melhor benefício no seguimento destas lesões.

O trabalho mostra importante análise do benefício do seguimento de pacientes quando se tem variações na idade e comorbidades, reforçando a ideia geral de menor benefício em pacientes mais velhos e mais debilitados. Deve-se ter em mente que uma análise de custo (apesar de importante) não foi feita, em razão da dificuldade de estimativa de gastos nestes pacientes mas, eventualmente, é um dado crucial. Ainda importante é saber que não se sabe totalmente a história natural dos cistos IIF e dos IMPNs de ducto ramificado, por isto foram feitas as extrapolações descritas acima, tanto para o melhor cenário possível, quanto para a análise de sensibilidade.

Autores: Raphel TJ, Weaver DT, Berland LL, Herts BR, Megibow AJ, Knudsen AB, Pandharipande PV.

Referência bibliográfica: Radiology. 2018 Feb 5:171701

Link para o PubMed: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29401040

0 comentário em “Efeitos da idade e comorbidades na avaliação do benefício de seguimento de lesões incidentais de baixo risco

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: