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O laudo radiológico e seus enormes problemas – Talvez menosprezados

O autor faz uma brilhante discussão sobre a importância do relatório / laudo radiológico, abordando inicialmente o radiologista, que analisa as imagens, chega a um diagnóstico e coloca em xeque esta premissa se ela não estiver atrelada a um texto capaz de transmitir a mensagem de maneira clara.
Ao final, há dois objetivos principais em nosso trabalho: a correta interpretação da imagem e a comunicação efetiva desta interpretação.
O autor inicia descrevendo a importância do laudo e sua história, iniciada em 1896 com a descrição de uma radiografia abdominal (com ausência de cálculos renais). Mesmo em 1922 já havia a preocupação com a qualidade dos laudos. Na época, foi proposto que os radiologistas interessados em ingressar na Sociedade Norte-Americana de Radiologia enviassem 100 relatórios e, somente se estivessem adequados, seriam aceitos. Termos que ainda fazem sentido até hoje como laudos que “dizem muito, mas quase nada” já eram usados por alguns expoentes da época.
Posteriormente, ele compara as diferenças entre os laudos atuais, mais estruturados que os anteriores, prévios à disseminação do PACS/HIS, mostrando inclusive algumas considerações prévias que iriam na contramão das atuais. Um dos itens discutidos mais interessantes é sobre a capacidade do radiologista “ser vago” e como isso pode impactar a síntese do achado.
Aspectos como inclusão de todos os diagnósticos possíveis e frases como “não se pode excluir”, ”eventualmente relacionado”, “aparentemente sem alterações”, “sem alterações tomográficas” e o fatídico “na dependência de correlação clínica” são discutidos de maneira interessante no texto.
Outro aspecto relevante é o que diferentes médicos esperam do relatório. Enquanto generalistas têm expectativas de relatórios mais descritivos, com mais diagnósticos diferenciais, especialistas e médicos dentro de hospitais tendem a preferir um laudo mais direcionado e sucinto, com mais sugestões de conduta. Existe ainda certa controvérsia sobre laudos estruturados ou não. Porém, estes primeiros têm demonstrado maior preferência, tanto para os solicitantes quanto para os radiologistas.
Os autores ainda abordam outros temas fundamentais, como a necessidade de comunicação efetiva entre os solicitantes – não só de achados urgentes que devem ser abordados, mas também de um laudo que seja claro e que transmita sem dúvidas a ideia do radiologista. Existe ainda dúvidas sobre o laudo também ser direcionado para o paciente, algo que tem sido cada vez mais pensado atualmente.
Além disso, são feitas discussões sobre o avanço dos sistemas atuais de laudo e armazenamento, não apenas sob o aspecto de imagens nos laudos, mas também do sistema de reconhecimento de voz, que tem impacto negativo no número de erros gramaticais em relação a transcrição por humanos.
Finalmente discute-se, de forma mais profunda, o relatório estruturado e suas controvérsias, sendo que os autores demonstram que existe uma forte tendência que os mesmos sejam o padrão mais eficaz para se transmitir as ideias, refutando o pensamento que o mesmo iria retirar a importância do laudo.

Autores: Brady AP.

Referência bibliográfica: Insights Imaging. 2018 Apr;9(2):237-246

Link para o PubMed: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29541954

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