Física e Proteção Radiológica

Radiação e “Radiofobia”

Os autores usam uma analogia divertida sobre alguns de seus artigos, referindo aos mesmos como destruidores de mitos ou “mythbusters” da urologia. Eles apresentam alguns temas com as evidências e, no final, dão o veredito em relação ao mesmo.
Em relação à radiação, eles focam em uroradiologia em crianças e discutem desde as origens do assunto, no caso, o receio do uso de radiação ionizante e o desenvolvimento de neoplasias.

A base para o problema está no modelo linear sem limite (o linear no-threshold – LNT), que afirma que qualquer mínima dose de radiação é prejudicial. Este modelo foi prenunciado pelo físico Hermann Muller em 1946 durante seu discurso do prêmio Nobel e estava intimamente relacionado com os aspectos da época, com a bomba atômica e a Segunda Guerra. Porém, mesmo naquela época, existiam críticos a este modelo, que foram descobertos recentemente com algumas cartas.
Falando em evidência, sabemos que a maior parte dos artigos está focado naqueles que predizem neoplasias baseados no modelo vigente de LNT ou mesmo em outros retrospectivos que avaliam o desenvolvimento e neoplasias em pacientes que realizaram uma Tomografia Computadorizada. Porém, existem graves problemas metodológicos nesses artigos. Os primeiros geralmente usam bases de dados que não foram projetadas para prever tais neoplasias, aspecto este descrito pelos próprios autores do modelo e endossado pelas autoridades físicas médicas, que doses de radiação muito baixas (< 100 mSv) tornam impossível a mensuração de neoplasias.
Os artigos retrospectivos caem em um outro tipo de problema interessante. Neles podemos ver desenvolvimento de neoplasias no encéfalo 50% maiores em crianças que fizeram uma Tomografia Computadorizada em outras regiões, algo que é muito difícil de acreditar com o conhecimento vigente e que pode estar relacionado ao conceito de causalidade reversa.
É importante salientar que existem outros modelos interessantes para a radiação, como a hormonesis, que aceita certo benefício para o indivíduo com baixas doses de radiação ou mesmo que podem existir certos pacientes mais sensíveis à radiação que outros. De qualquer forma, é importante não cair na falácia do jogador quando confrontado com um paciente que já fez ou irá fazer vários exames de Tomografia Computadorizada e evitar a solicitação deste tipo de imagem. Deve-se usar sempre o melhor método de imagem para o paciente, mesmo se este for a Tomografia Computadorizada.
No final, os autores concluem que ainda existem dúvidas importantes sobre o tema, sendo que talvez o uso do modelo de LNT pode não ser o melhor, mas faltam ainda evidências para aceitá-lo totalmente ou mesmo adotar um outro padrão.

Autores: Kurtz MP, MacDougall RD, Nelson CP

Referência bibliográfica: J Pediatr Urol. 2018 Jun;14(3):291-295

Link para o PubMed: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29571659

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